(Político, Educador e Antropólogo)
Darcy Ribeiro (Montes Claros, MG - 1922-1997), o político, educador, antropólogo, romancista e visionário Darcy Ribeiro, que morreu no dia 17 de fevereiro de 1997, em Brasília, era antes de tudo um pedetista. Seu enterro no Rio de Janeiro, a cidade que adotou e representou no Senado, lhe prestou uma homenagem fora do convencional. À frente estavam as crianças dos CIEPs, as escolas de tempo integral, concebidas por ele e Brizola e que deram a arrancada da educação no Brasil. Uniformizados, aqueles meninos não estavam tristes com a partida do mestre e criador.
Eles estavam alegres, porque Darcy gostava de alegria, mesmo na morte e, principalmente, porque a obra maior do homem de quem se despediam em vida estava ali para ficar.
Darcy conseguiu enxertar na nova lei de Diretrizes e Bases da Educação (a segunda, de 1997), que ele concebeu e tornou realidade, num de seus itens, a transformação de todas as nossas escolas em uma espécie de CIEPs, dentro de dez anos. Isso significa que as escolas públicas brasileiras terão de oferecer atividades durante todo o dia, com café da manhã, almoço, ginástica, banho, aulas, estudo dirigido e fazer interação com a comunidade. Junto com as crianças, reapareciam os lenços vermelhos e as bandeiras do PDT, uma destas envolvendo o corpo de Darcy, juntamente com o pavilhão nacional e o da Academia Brasileira de Letras.
Leonel Brizola, Carlos Lupi, Neiva Moreira, Manoel Dias, Miro Teixeira, Vivaldo Barbosa, José Maurício e toda a direção do PDT lá estavam como a dizer que iam zelar ferozmente para que a obra de Darcy não caísse no esquecimento e nem fosse entregue ao abandono, quaisquer que sejam os manda-chuvas do Rio e do Brasil.
Mas quem foi este homem que tanto mexeu com os corações? Criador e reitor da Universidade de Brasília, a UnB, foi duas vez ministro de Estado de João Goulart (Educação, quando fez a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação, e Chefe da Casa Civil), vice-governador (1983-1987) e senador (1991-1997) pelo Rio de Janeiro, escreveu livros memoráveis sobre os índios, como o romance "Maíra" e o tratado "O Povo Brasileiro". Os políticos o chamariam de um animal político. Os educadores, o mestre. Os antropólogos, seu guia. As minorias, principalmente a negra, a índia e a criança, seu pai. Darcy Ribeiro foi na verdade uma sumidade, não aquela das elites, mas do povão, daquilo que na essência se chama Brasil.
Perseguido e cassado pela ditadura, marginalizado pelas elites, desde a juventude, quando demonstrou seu gosto pelo povo, Darcy não se apoquentou. Foi adiante. Antes de ser cassado, em 1964, por ter querido resistir com João Goulart, já tinha se projetado como político, educador, antropólogo, romancista e etnólogo.
Cassado e proibido de entrar no Brasil, juntamente com Brizola , foi prestar seus serviços ao povo do Uruguai, Peru e Chile. No Peru, foi assessor do Presidente Alvarado, no Chile, do Presidente Salvador Allende. Depois era requisitado, para juntamente com Oscar Niemeyer, projetar a nova Universidade da Argelia. De volta ao Brasil, em 1978, para extrair um pulmão canceroso, ele ajudou no movimento pela anistia política.
Em 1982, elegia-se vice-governador na chapa de Leonel Brizola. Logo se transformaria no secretário de educação do novo governo popular e, com total apoio de Brizola, fazia o Sambódromo, os CIEPs, as bibliotecas públicas e agitava a vida cultural do estado. Candidato a governador em 1986, foi derrotado pela direita. Em 1990, elege-se senador e é chamado novamente para Secretário por Brizola, que ganhara o segundo mandato de governador do Rio, foi completar a obra dos 500 CIEPs. No Senado, fez a LDB e uma dezena de outros projetos. No final da vida, projetou a Universidade Virtual e o Projeto Caboclo.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
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